O que eu aprendi em 4 meses na maior empresa de marketing de conteúdo da América Latina?

Era uma tarde de sol no final de setembro.

Eu estava na última fase para a seleção de uma vaga na Rock Content e, neste dia, eu iria fazer uma entrevista via Skype com o CEO da empresa, Edmar Ferreira.

Quando eu recebi o email me informando a respeito, a primeira coisa que fui fazer foi pesquisar.

Até aquele momento, eu nunca tinha ouvido falar nele, um personagem bem menos conhecido que o já famoso Vitor Peçanha.

Sobre Edmar, não havia muitas referências na internet, exceto um texto sobre a experiência que ele teve de ler 100 livros em um ano.

Eu estava tranquilo.

Queria passar na seleção, mas o que eu queria mesmo era fazer a seguinte pergunta ao fundador e principal executivo de uma das maiores startups da América Latina:

Como, em quatro anos de empresa, vocês conseguiram chegar ao tamanho que chegaram?

A Rock Content tem hoje mais de 300 funcionários e bateu o faturamento anual de R$ 30 milhões no ano passado.

Detalhe: eles tinha começado em 2013 com três pessoas.

Passada a fase em que ele me entrevistou, chegou o momento que eu esperava para fazer a pergunta:

Qual é o segredo de um crescimento tão intenso em tão pouco tempo?

A resposta veio rápida, certeira e objetiva:

“Foram as pessoas que contratamos”.

Só isso.

Eu tinha a expectativa de vê-lo falar sobre gestão ou até sobre o quanto o marketing da empresa era incrível.

Mas o que eu ouvi foi isso. Foram as pessoas.

Por ser jornalista de formação, o meu instinto foi de desconfiança. Havia algo que ele estava escondendo, eu tinha certeza.

No dia seguinte, recebi o email informando que fui aprovado.

Eu teria um mês para vender todos os móveis de um recém alugado kitnet que eu morava em Natal e reorganizar minha vida profissional para embarcar numa aventura em Belo Horizonte.

Não pensei duas vezes. Aceitei.

Embora mudar radicalmente com 29 anos de idade é mais complicado que com 20, fui animado pela aventura e, principalmente, por entender que eu viveria ali uma experiência profissional valiosa.

E, na pior das hipóteses, descobriria se o CEO da Rock Content falou a verdade ou era só mais uma daquelas frases de efeito do mundo corporativo.

A primeira impressão

Eu nunca tinha ido à Belo Horizonte.

A minha ligação com a cidade se dava pelo fato de eu ser um fã de pão de queijo mineiro e de ter familiares que puxam um “uai” quando falam.

De resto, nada.

Cheguei na véspera do onboarding — processo de adaptação na empresa — , com apenas uma mala, sem local certo para ficar e muita curiosidade sobre a cidade.

Belo Horizonte é simpática de se viver. Há uma ampla área verde e, pelo menos na região que passei a maior parte do tempo, uma sensação de segurança incomum em capitais do Brasil.

Por outro lado, a geografia é cruel com quem gosta de dar caminhadas: as ladeiras podem fazer com que a experiência de atravessar distâncias pequenas seja penosa.

Não foi difícil encontrar a sede da Rock Content. À época, ficava no coração da Savassi, um dos principais bairros da cidade.

E no prédio da Rock, tudo o que você pode imaginar ver em uma startup: porta com reconhecimento facial, piscinas de bolinhas, funcionários trabalhando em um clima geral de descontração, cervejas nas sextas-feiras.

Embora eu estivesse desconfiado, a minha primeira impressão era positiva. Palestras de uma lado, explicações sobre como funciona a empresa de outro, novos funcionários ansiosos para mostrar trabalho.

Até que algo chama a minha atenção…

No refeitório, as pessoas lavavam as canecas que usavam e se organizavam para manter o ambiente limpo.

Em todas as empresas que trabalhei (passei por umas 4 na minha vida), eu nunca tinha visto tamanho zelo com o ambiente.

Pode parecer algo pequeno, mas para mim foi um choque que virou uma mostra do que estava por vir.

Logo, fiquei sabendo o quanto o código de conduta da empresa é levado a sério.

Eu havia lido durante o processo de seleção mas, de novo, achava que era só papo corporativo. Neste momento, comecei a perceber que não era bem assim e que talvez eu estivesse errado.

Os dias de rocker

Devidamente fardado com a camiseta clássica da Rock Content

Trabalhar em uma startup do tamanho da Rock Content é estar em um ambiente de constante mudança.

Nos 4 meses que estive lá, o meu setor mudou duas vezes de lugar, a sede mudou e novas formas de trabalhar começaram a ser testadas.

Isso tudo dentro da pressão de conseguir bons resultados e bater as suas metas individuais para entregar valor aos clientes e aos seus gestores.

Há números que você precisa insistentemente acompanhar.

A taxa de churn (cancelamento) dos clientes afeta a progressão de todos os funcionários da empresa. Todo mundo perde se uma empresa cancela o serviço.

A qualidade do que você faz é constantemente medida e o trabalho é, por vezes, extenuante.

Todos esses pontos poderiam passar a ideia de um ambiente de competição acirrada e difícil de trabalhar. Com exceção de alguns detalhes que fazem a diferença.

A cultura corporativa, a forma como os gestores lidam com os funcionários e o reconhecimento profissional são pontos fortes da Rock.

A maior parte da minha vida profissional foi em jornais impressos, lugares que em geral misturaram um ambiente tóxico com a uma pressão alta de entregar resultado.

Mas na Rock era diferente. O ambiente não era tóxico.

Era um lugar tranquilo, de cooperação entre setores, e de pessoas dispostas a não só entregar um bom trabalho, como também de ajudar o time que estavam a fazer o mesmo.

Aliás, lá, o incentivo para você aprender e ensinar é alto. Tão alto que a vontade das pessoas em colaborar era constante.

E foi a partir daí que eu comecei a ser fisgado pela ideia de o quanto pessoas com um propósito definido e num ambiente de cooperação podem produzir grandes coisas.

Problemas da vida de rocker

Falar que não há problemas em uma startup do tamanho da Rock Content e com a quantidade de pessoas trabalhando é simplesmente mentir.

Há problemas. Há muitos problemas.

A questão é que, diferente de outros lugares por onde passei, eles não são jogados por de baixo do tapete.

A empresa os enfrenta, por mais doloroso que eles possam ser. E um deles vi com meus próprios olhos.

Um ex-funcionário fez um blog e escreveu textos criticando a direção, o trabalho da Rock Content e alguns dos gestores.

A fofoca logo se espalhou por toda a organização e ninguém sabia ao certo o que iria ocorrer com aquilo.

Em outros lugares que passei, a postura corporativa iria variar para dois caminhos distintos:

1 — Ignorar completamente o ocorrido;
2 — Fazer uma caça às bruxas contra possíveis cúmplices do texto.

A solução encontrada pela Rock não seguiu nenhum dos dois caminhos. O CEO, Edmar Ferreira, marcou uma reunião com todos os funcionários.

O motivo: queria entender melhor em quais pontos o texto fazia sentido para as pessoas que trabalham lá. Ele deixou claro o quanto ficou surpreso com o texto e com a repercussão que causou.

E, do problema, abriu a agenda para que qualquer funcionário da empresa conversasse sobre carreira com ele. Pediu para que todos os gestores fizessem o mesmo.

Eu fiquei impressionado com a postura.

E, graças a ela, tive a oportunidade de passar 1 hora conversando com Edmar. Contei um pouco do que eu fiz e das minhas perspectivas de carreira. Em troca, recebi belas indicações de livros e tive um dos meus momentos de aprendizados mais fortes.

Os aprendizados da vida de rocker

Depois de quatro meses, eu tinha percebido o quanto eu já estava envolvido com todo aquele processo. O quanto eu já gostava dali e como, realmente, as pessoas que trabalham na Rock fizeram diferença no crescimento da empresa.

O conversa com o Ed, quando fiz minha entrevista na pré contratação, não era papo furado corporativo.

Era real.

E, tão real, que o período que passei por lá me trouxe aprendizados valiosos. Sejam eles do ponto de vista técnico do Marketing Digital, mas principalmente sobre as pessoas e sobre liderança.

Aprendi o quanto as pessoas fazem diferença na hora de construir um negócio. E o quanto empatia e uma dose de liderança inspiradora conseguem fazer com que coisas grandiosas aconteçam.

Foram momentos e lições que pretendo levar para o meu futuro profissional, independente para onde ele vá atualmente. E são coisas que me fazem lembrar o quanto valeu a pena ter passado esses 4 meses por lá.

Minha trajetória na empresa foi curta por razões pessoais. Mas o respeito e a admiração que criei por ela vão ficar e possivelmente marcar minha trajetória daqui para frente.

Jornalismo, inbound marketing, empreendedorismo, política e muito café.

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